25.2.06

Dor viscosa

Estou completamente só.
Não está aqui ninguém.
O dia está cinzento.

Porque tento amar,
Se ninguém se interessa por mim?

O sol gela-me o coração
A brisa corta-me a pele.

Este sentimento invade o meu corpo
Flui por todo o lado... esta dor viscosa.

A Terra torna-se grande.
Não encontro amor aqui.
Minhas lágrimas caem por ninguém,
Meu coração bate só por mim,
Grito ao sol... não está ninguém.

Tenho esta lembrança a fritar-me o cérebro,
Meu coração parte-se aos bocados no chão,
Este sentimento mata, esta dor viscosa.

Tento superar: sou um perdedor.
Tento desejar: sou um cobarde.
Corro tão depressa, não consigo avançar.
Estou vivo: não sou ninguém.

Estou só hoje,
Apenas eu... e a minha dor viscosa.

Armindo - 1998

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