Amanhece mais uma vez sobre a cidade. A cidade é pequena, mas animada. Uma cidade histórica, com um castelo pequeno que parece ter caído aos trambolhões do céu, de tão velho e descuidado que está. Há zonas em que cai aos bocados e as árvores sobressaem-se, dando-lhe o ar degradado das ruínas... o que acaba por lhe dar um certo charme. Aos poucos as pessoas vão-se acordando e encaminham-se como formigas para os seus trabalhos. A luz irrompe os estores do apartamento, iluminando tudo num tom amarelado-caramelo, aquecendo, pouco a pouco, as divisões. O apartamento é grande mas acolhedor... e, todos os sons da rua parecem tão distantes e abafados que parecem vindos de outro mundo.
São 10 da manhã quando Samuel acorda, sozinho como sempre. Espreguiça-se deitado na cama e fica por un momentos a olhar para o tecto, como se esperasse que lhe trouxessem alguma coisa. A porta do seu quarto abre-se. É Rita, a sua colega de apartamento, que entretanto já saiu para ir às compras na praça e correu e já tomou o seu banho.
- Foda-se Samuel! Ainda estás enfiado na merda da cama? Estás à espera de quê para te levantares? Convite do Papa? Levanta-me esse cagueiro daí e deixa-te de paneleirices. Está na hora de começares a viver, seu conas de merda! Foda-se, já irrita saber que ficas aí a lamentar o caralho da tua sorte, vamos mas é tomar o pequeno-almoço. Vá, mexe-te! - o que, traduzido de linguagem de Ritense significa: "Vá, levanta-te. Vamos tomar o pequeno-almoço e conversar um pouco!"
Samuel olha para ela a virar-se para sair. Levanta o corpo e fica apoiado nos braços enquanto ela vira-se e diz num tom mais maternal:
- Vá! Vai mas é tomar banho que tu pareces uma múmia de merda! Eu estou na cozinha a arrumar a merda das compras! - e fecha a porta.
Samuel nunca imaginou que pudesse existir alguém que dissesse tantas asneiras - até cansa ouvi-las. Mas, depois de dois anos a conviver com esta mulher, até o Papa se habituava. Enfim... Levanta-se da cama e coça a cabeça, despenteada, enquanto se dirige para a casa de banho.
"Viver! Talvez ela tenha razão... De nada serve lamentar!" - pensa enquanto fecha a porta da casa de banho e abre a torneira para o banho.
Fim do blog
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Devido a recentes actividades ilícitas de certas pessoas da Internet, sou
forçado a terminar este blog e a retirar todos os meus poemas da net.
Se há coisa...
Há 15 anos

1 comentário:
Sim... Nao vale mesmo a pena lamentar... nao resolve nada ;)
Hugz ^^
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