Eram o quê!? Umas 3 da manhã quando ele saiu de casa. Deu-lhe simplesmente para sair de casa a essa hora. Tinha acabado de chegar do trabalho e, aparentemente, estava cansado. Mas algo o impedia de se deitar e adormecer. No seu estado normal teria ficado em casa porque ninguém sai em Lisboa a essa hora sozinho, sob a ameaça de ser assaltado. Desdeu a rua e meteu-se por outra, contornou umas tantas ruas. A noite estava levemente agradável mas ele estava completamente perdido. Chegou lá pelas 4.30 ao rio e sentou-se num banco ali perdido como ele. E chorou. Chorou porque tudo o que fez na vida deu errado e já não tinha forças para continuar a lutar. Estava exausto, cansado. Estava preso numa vida que não queria, numa vida que não desejava. E questionou todas as suas escolhas e reviveu todas as suas consequências. Relembrou-se de todas as suas conquistas e apercebeu-se de todas as suas derrotas. Chorou por não saber o que fazer, o que dizer, que caminho tomar. Lembrou-se das suas relações falhadas e das dores que o seu coração suportou. E lembrou-se dos momentos em que passou fome e do facto de estar muito abaixo de forma e da dor da sua perna que não passa e do facto de não se lembrar da última vez que alguém o abraçou com sentimento. E sentiu a sua solidão, a sua insignificância e a sua derrota agarrarem no seu coração e apertarem-no.
Mas, lá pelas 6 talvez, ao sentir o dia a renascer, algo em ele mudou. Não sabia explicar o que era. Era algo que nunca tinha sentido antes. Uma sensação de potencialidade. Um sentimento de mudança, de oportunidade... de esperança. E foi lá pelas 6.10 que ele se levantou e secou as lágrimas e sorriu. Porque a vida dele não estava assim tão má. Afinal, este é mais um dia de oportunidades. Mais vale aproveitá-lo enquanto está fresco...
Lá pelas 10 conseguiu...
Fim do blog
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Devido a recentes actividades ilícitas de certas pessoas da Internet, sou
forçado a terminar este blog e a retirar todos os meus poemas da net.
Se há coisa...
Há 15 anos

2 comentários:
São histórias dessas que vão marcar os dias. Os meus, os teus, os dele! É a realidade numa montanha-russa! Como eu queria travar isto, também!
Muito bem escrito, parabéns!
Vou, vou, vou...choro, choro, choro e depois acabo com essa sensação de certa força, energia e alento.
Um texto muito, muito bonito que me é tão familiar.
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