5.1.08

Tecto

O tempo pinga lentamente do tecto da eternidade. As gotas dos segundos ecoam na minha mente, atormentando-me, troçando. Tudo se tornou demasiado para mim, desde que disseste aquilo, naquela altura, daquela forma. Esta casa tornou-se demasiado grande. A minha vida tornou-se demasiado longa. O meu sorriso demasiado ausente. Tornei-me num reflexo embaciado de mim mesmo. Indefinido. Sem forma. Sem alma. Sem vida. Sem vontade de seguir sozinho. E o vazio no meu peito também se tornou demasiado grande. Um buraco negro que me suga as forças, pingo a pingo, e me esmaga sobre a minha própria insignificância.

Erguer-me. Um feito que me parece quase que impossível. Fui destruído e destruído ficarei durante imenso tempo. Sim, porque destruíste cada parcela ínfima de mim com uma simples palavra, um simples gesto. Como se eu fosse apenas pó sobre a mesa que espalhas ao passar a mão. E o meu eterno vazio engasgado na minha garganta. Com vontade de gritar mas estou sem voz. Com vontade de chorar mas estou sem lágrimas. Com vontade de correr mas estou sem pernas. Orbito em torno da minha própria solidão, sempre olhando para o vazio, para o buraco negro que consome a minha alma, pingo a pingo. Esgotando-se o tempo. Eu esgoto-me lentamente do tecto da eternidade... até ao esquecimento.

1 comentário:

TheTalesMaker disse...

Vais ver, dias melhores virão e irá surgir um qualquer reparador de tectos, feridas e corações quebrados.

 

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