7.3.08

As marcas das chávenas de café

(Mais um pequeno esboço de um futuro texto)

Estava sentado naquele café de sempre à sua espera. Tinha-me ligado a dizer que tinha algo muito importante para me dizer. Algo que não poderia ser, de forma alguma, adiado muito mais. Mexia o meu café como uma eterna promessa de que o iria beber dentro de segundos, enquanto olhava hipnotizado pela janela, vendo as pessoas a passar. Esperando. Tudo me chovia em mente, enquanto o café arrefecia.

Haviam passado já alguns quinze minutos quando ele chegou. Pediu o seu café e sentou-se à minha frente, falando de tudo e mais alguma coisa. Estava a arranjar coragem para lhe contar o que teria para contar. Mas não eram necessárias palavras. Assim que chegou já me havia contado em silêncio. Os cafés foram bebidos e ele partiu, deixando-me aqui em silêncio, olhando para as marcas das chávenas de café e a frase que escrevi enquanto falava.

E reli: "Há coisas que me disseste que preferia não ter ouvido, mas nada me destruiu mais que o teu silêncio!"

2 comentários:

Anónimo disse...

Lindo, simplesmente belo.
Abração
Miguel

TheTalesMaker disse...

Ás vezes os silêncios são uma merda. Querer dizer algo e um nó na garganta que não deixa escapar um pio.
:S

 

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