4.10.07

Serei sempre.

Continuo a pensar em ti...
Esforço-me por não pensar em... E, muitas vezes nem vale a pena. Era o que mais desejava. Esquecer a tua cara, esquecer o teu cheiro, a tua voz... e aquela forma como me seguravas quando eu precisava de ti. Esforço-me para esquecer os momentos em que te afagava nos teus dias complicados e te aninhava quando precisavas. Tudo para isto... Tudo isso para eu acabar aqui, nesta cama gasta, neste quarto cansado do tempo. Movimentando-me como se estivesse debaixo de água... Respirando este ar espesso como xarope.
Adorava esquecer-te. Adorava saber que nunca exististe. Adorava... Adorava parar de lamentar a minha vida, como se isso fosse resolver alguma coisa.

Continuo a passar pelos sítios que frequentávamos e nem sei porquê. Talvez eu queria, no fundo, te encontrar mais uma vez... Uma única última vez. Para te dizer tudo aquilo que engoli, tudo o que senti quando soube que tu... Mas para quê!? O que adiantaria? Irias continuar a olhar para mim com esses olhos de mel-amêndoa e baixares a cabeça. Sei que te sentes mal... Sei que te corrói, que te fere, que te mata. Mas... Desisto. Desisto disto tudo. Desisti de ti.

A cada passo que dou, afastando-me da rua onde te beijei pela primeira vez, a minha memória apaga-se. Pedaço a pedaço. Gota a gota. Lavado pelas mesmas gotas que nos molhavam quando te beijei. Nada mais és agora que uma memória de algo que eu teria descartado se pudesse... Um erro.

Serei sempre aquele que não devia de se ter cruzado contigo.

1 comentário:

Graduated Fool disse...

Compreendo tão bem este chorrilho de sentimentos.

 

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