24.2.06

Poema sem nome

Sem gritos, sem lágrimas,
Sem sonhos, sem medos.
Nada para além da existência.

Não consigo amar, não consigo odiar.
Será castigo? Ou será destino?
Que raio está a acontecer?
Estarei a ficar paranóico?

Sinto o que não sinto,
Sou o que nunca fui.
Ajuda-me a sair, enterrei-me tanto.

Fecho os olhos por um instante.

Tão cansado. Não consigo dormir.
Vagueio por aí
Não tenho onde ir (não tenho onde ficar)
Nunca estive cá antes
Nunca mais quero voltar.

Fico preso neste sentimento
Que parece que se repete (só para mim)

Estou perdido onde me encontram.
Não tenho que dizer
Não consigo dizer adeus,
Nem consigo falar.

Armindo - 1997

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