12.4.07

O derradeiro poeta (Parte 2)

Juntas os teus pensamentos
De formigas de fogo sobre cubos de gelo,
Tendo ataques cardíacos de espuma
Nesse quarto negro
Onde o nada carrega o teu nome...

Olhas para as tuas pernas enrugadas
Que pulsam sem que saibas
E impedem que te relaxes,
Roubando a tua felicidade.

Um amor descartado.
Um segredo revelado.

E és ignorado por essas formigas obreiras
Que silenciosamente aliviam a tua dor,
Realizando o teu propósito egoísta.

A tua alma quebra-se
“Não a amavas!”
A tua essência rasga-se
“Acho que a amava”

As palavras já não te tocam.
És o derradeiro poeta.

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