12.4.07

O derradeiro poeta (Parte 3)

Enquanto os santos fogem
Os homens ficam.
Monstros que rasgam os seus peitos.
Olhos brilhantes e bocas infames,
Lidando com a merda em que nos afogamos.

Ficas na tua torre,
Quase consumida pelo tempo,
Banhado em medo e dor,
Onde mentiras se espalham
Pelos que não descansam.

Há muito que abandonaste as tuas pegadas.
Estás cansado da vida.
Estás cansado de olhar por nós.
E, num desejo secreto,
Tu sorris – viveste vidas eventualmente.

Numa esperança de vidros quebrados
Olhas para a rapariga lá do canto,
Que aproveita para escapar através do vento.

E era a manhã da manhã seguinte.
E apenas tinhas esse desejo...
És o derradeiro poeta.

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